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  • Ednum Lopis

Atualizado: Mar 20

Num determinado momento da minha vida experimentei a certeza de que eu queria ser compositor e me comunicar com as pessoas através da música. O parâmetro motivador para isso eram as sensações prazerosamente indescritíveis que eu experimentava através do universo dos sons musicais e o desejo de me expressar com tal linguagem.

Depois de alguns anos de exercícios e composições experimentais, em 2008 compus e produzi, finalmente, o primeiro álbum em condições de ser publicado. Nesse tempo eu estava altamente envolvido com a ideologia espiritual e de alguma maneira eu queria que a minha música refletisse os conceitos e as aspirações de quem tem como norte ideológico de vida os princípios espiritualistas. A capa e o título do primeiro álbum (Spiritualis Prospectus) deixam isso bem evidente.

O único instrumento usado na produção desse trabalho foi um teclado semiprofissional (Cassio CTK 601), cujo resultado, porém, foi amplamente melhorado com os recursos de edição de softwares avançados.




Em 2010 lancei o segundo álbum, Cosmorgânico, com uma abordagem sonora mais espacial, mais cósmica. Os temas variaram entre referências cosmológicas e elementos de natureza psíquica e espiritual.

Diferentemente do primeiro álbum, este foi quase inteiramente produzido a partir de plug-ins geradores de sons no formato MIDI, através de um sistema de composição virtual.




Em 2011 produzi apenas um single. Uma releitura da composição Spiritualis Prospectus do primeiro álbum. O processo técnico de criação contou tanto com os recursos físicos como com os virtuais. Uma curiosidade dessa versão é que foram utilizados mais de 40 timbres ao longo dos sete minutos de duração da faixa, incluindo uma pequena e bem discreta aplicação da minha própria voz em um efeito.




O terceiro álbum, Metanoia, veio no ano seguinte. A temática predominante aborda a questão das mudanças de pensamento, das transformações psicológicas e de atitude, da quebra de paradigmas ou da harmonização de paradigmas diferentes, como numa proposta dialógica.

Essa abordagem temática do álbum refletia as transformações que estavam acontecendo comigo na época. Foi um período de fortes transições de paradigmas em minha formatação mental. Pela primeira vez experimentei solfejos vocais na produção. Para isso, contei com a minha própria voz e com a voz de uma artista conterrânea, Smel Soares. A parte instrumental foi inteiramente produzida com os recursos virtuais (plug-ins, softwares).



O próximo trabalho, em 2013, foi mais um single, Scientific, de 12 minutos e 45 segundos. Trata-se de uma composição experimental dividida em três fases. A primeira apresenta um passeio fraseológico pelas tríades da escala menor primitiva de todos os doze semitons da escala cromática, seguindo, porém, a seguinte ordem estrutural: começando de Dó menor, salta para o quinto grau desta escala, ou seja, Sol, e executa o mesmo fraseado com a tríade de Sol menor. Depois, salta para o quinto grau de Sol, ou seja, Ré, e repete o mesmo esquema, obedecendo a esta sequência estrutural sucessivamente até fechar os doze semitons.

A segunda parte do single apresenta uma sessão de efeitos que simulam um movimento espacial com interações de sons não convencionais.

A terceira parte é uma recapitulação da primeira, mas acrescentada de percussões, criando uma atmosfera rítmica próxima de um dance lounge.




From Imponderable foi o quarto álbum, lançado em 2016. Ele reúne todas os elementos temáticos básicos explorados nos trabalhos anteriores, ou seja, o espiritual, o científico e o psicológico/filosófico. A ênfase é que tudo isso vem do invisível, isto é, do campo das possibilidades manifestáveis, o imponderável, daí o título deste trabalho.

Metade da produção sonora deste álbum foi a partir de um teclado semiprofissional, o Yamaha PSR E423. A outra metade ficou por conta dos recursos de softwares. Vale destacar, porém, a pequena inclusão de um solo com flauta doce contralto em Introspection, Memories and Nostalgia, a sétima faixa.




Passaram-se três anos para que viesse o quinto álbum. Introspectus foi inteiramente produzido a partir de softwares. Por conta disso, algumas propriedades físicas da sonoridade não tem o mesmo ganho do álbum anterior, mas a expressividade conceptual das composições está mais amadurecida harmônica e melodicamente. As composições também estão mais enriquecidas na variedade de timbres, alguns bem sofisticados, comparando-se aos trabalhos anteriores.

A temática volta a centrar-se no aspecto psicológico e espiritual do ser, dessa vez enfatizando a introspecção como elemento de pesquisa, através de ponderações universalistas, isto é, aberta para vários aspectos, vários ângulos da Vida, tendo a dúvida como elemento base de fomentação da reflexão. As certezas fecham o campo de pesquisa sobre um determinado ponto, enquanto a dúvida abre, permitindo-nos ver sempre mais além. A ideia nos remete ainda à constante descoberta de nós mesmos num contínuo processo de autoconhecimento.




Single "O DOIS DO UM". Depois de mais de uma década compondo e produzindo músicas instrumentais, esse é o meu primeiro trabalho musical como letrista e intérprete vocal. De forma bem sintética, a letra da canção fala de paradoxos, de contradições presentes na estrutura e funcionalidade da vida. Ou seja, fala da dualidade universal, lei da polarização das unidades expressivas existenciais, que no fim das contas, são manifestações relativas de uma Unidade Primordial Absoluta. Daí o título "O DOIS DO UM".



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